O Museu de Zoologia da USP abriu ao público uma exposição temporária sobre a Amazônia que coloca os pequenos animais no centro da narrativa. A mostra “ Amazônia: Descobertas” ficará disponível até 31 de maio de 2027, com entrada gratuita de 3ª a domingo, das 10h às 17h. A exposição propõe uma inversão de perspectiva, apresentando insetos, anfíbios, aves, mamíferos e camarões como os verdadeiros responsáveis pela megabiodiversidade amazônica.

A iniciativa partiu do próprio museu e ganhou impulso por causa da COP30, realizada no Pará em 2025. “ Descobrir a Amazônia foi o grande desafio, onde tudo é extenso e grande. A exposição inverte a lógica, os pequenos animais são os protagonistas: besouros, insetos, camarões, borboletas, anfíbios, mamíferos e aves.

Eles são responsáveis por formar a megabiodiversidade do bioma, onde, mesmo de forma discreta, formam interações complexas com outros seres “, afirmou Luís Fábio Silveira, diretor do Museu de Zoologia da USP. Dentre os grupos destacados estão os dípteros, que reúnem moscas e mosquitos e compõem um dos conjuntos mais diversos do reino animal. A exposição ressalta que esses insetos medem cerca de 3 cm e exercem funções variadas nos ecossistemas: há espécies parasitas, predadoras e polinizadoras.

O grupo também tem relevância médica e econômica, pois inclui o mosquito-da-malária, o mosquito-da-dengue e o mosquito-palha, todos vetores de doenças. As aves também ganham espaço na mostra. O Brasil concentra a maior diversidade de espécies do mundo nesse grupo; já foram registradas mais de 2 mil espécies no território nacional, sendo mais de mil encontradas na Amazônia.

A exposição apresenta exemplares como a cabeça-de-prata, o frifrió e o galo-da-serra. Acessibilidade e interação A mostra foi planejada para receber públicos diversos. Os itens estão posicionados em altura reduzida para facilitar a visualização por pessoas em cadeiras de rodas e crianças.

O percurso inclui modelos ampliados e uma atividade tátil em que o visitante toca, sem ver, a pele de animais amazônicos por meio de um orifício. Parte das placas explicativas está também em braile. Há ainda um espaço de interação coletiva que funciona como uma “rede social analógica” .

Os visitantes podem registrar em post-its suas impressões sobre a mostra. Nova espécie e participação científica Uma das atrações da exposição é a descoberta de uma nova espécie de besouro-de-correnteza. O inseto pertence à família Elmidae , habita riachos e igarapés da Amazônia brasileira e mede de 1 a 8 mm.

A descoberta resultou de uma parceria entre o pós-doutorando Thiago Polizei, do museu, e a pesquisadora Neusa Hamada, do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Na atividade Por trás dos nomes , o público pode votar no nome científico da nova espécie. São 3 opções: Heterelmis iacamiabas: remete à lenda das mulheres guerreiras indígenas que, no século 16, originou o mito das Amazonas no Norte do Brasil; Heterelmis waimiriatroari: homenageia os povos Waimiri e Atroari , 2 grupos originalmente distintos que habitam a região de Presidente Figueiredo (AM), onde a espécie foi coletada, e que se uniram ao longo do tempo por causa da proximidade linguística e cultural; Heterelmis kinja: significa “gente verdadeira” na autodenominação do povo Waimiri-Atroari.