O recente rompimento do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, que ocorreu em 8 de novembro, tem um beneficiário inesperado: o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Essa é a análise de Fernando Brancoli, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que afirmou ao WW que a escalada de tensões entre as duas potências contribui diretamente para a situação política de Netanyahu em Israel.
Crise econômica e política interna em Israel
Israel enfrenta um período de graves dificuldades internas, com dados econômicos recentes indicando uma queda nos índices do PIB, reflexo direto dos conflitos atuais. O país também lida com um déficit de mão de obra na indústria, já que uma parte significativa da população foi mobilizada para as Forças Armadas. Segundo Brancoli, "há uma crise econômica que se combina também com uma crise política".
No cenário político, Israel se vê em meio a uma disputa interna sobre possíveis substitutos para Netanyahu. O professor destacou que Netanyahu se apega à manutenção do conflito como uma estratégia para evitar ser substituído e, principalmente, para impedir investigações relacionadas a acusações de corrupção e sua suposta incapacidade diante dos ataques do Hamas em outubro.
Brancoli afirmou: "Se tem alguém comemorando nesse momento, certamente é Netanyahu, na medida em que se apropria desse estado de exceção para garantir que não vá sofrer consequências políticas internamente dentro de Israel".
Pressões externas e o contexto norte-americano
O professor também ressaltou a importância dos aliados regionais, como Arábia Saudita e Emirados Árabes, que estão enfrentando impactos significativos em suas economias devido à guerra. Brancoli comparou a situação a "um cabo de guerra", onde diferentes aliados tentam influenciar os Estados Unidos em direções distintas.
No plano doméstico dos EUA, há eleições previstas para o final do ano, conhecidas como mid-term elections, e Donald Trump expressa preocupação com o aumento da inflação e dos preços dos alimentos. O fechamento do Estreito de Ormuz, nesse contexto, poderia agravar ainda mais a situação econômica americana.
Brancoli observou que é essencial analisar as dimensões internas e externas dos Estados Unidos, assim como a situação de Israel, do Irã, dos aliados do Golfo e do Líbano, que adicionam complexidade a esse cenário já repleto de variáveis.
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