Durante a 61ª reunião anual da ASCO (Sociedade Americana de Oncologia Clínica), realizada em maio de 2026, em Chicago, foi evidenciado que os avanços no tratamento do câncer não estão mais restritos a uma única descoberta. Em vez disso, diversas frentes de pesquisa estão produzindo resultados significativos simultaneamente.

Um dos destaques da conferência foi o estudo RASolute 302, conduzido pelo Dana-Farber Cancer Institute, que recebeu aplausos de milhares de médicos ao apresentar resultados promissores.

A terapia que emocionou a plateia foi o daraxonrasibe, um novo tratamento para câncer de pâncreas que, segundo os dados, quase dobrou a sobrevida dos pacientes em comparação com a quimioterapia. O câncer de pâncreas, conhecido por sua baixa taxa de sobrevida em cinco anos, foi considerado por muito tempo uma doença difícil de tratar.

Vacina personalizada

Entre os avanços apresentados, as vacinas personalizadas também se destacaram. A abordagem, que utiliza tecnologia de mRNA, permite que os cientistas criem vacinas sob medida após a remoção do tumor, analisando o material genético do câncer do paciente e identificando suas mutações específicas.

Na conferência, foram divulgados resultados de um estudo de cinco anos com pacientes de melanoma de alto risco que receberam a vacina personalizada chamada Intismeran. Os dados mostraram que esses pacientes tiveram quase 50% menos risco de recaída ou morte em comparação com aqueles que receberam apenas imunoterapia, com cerca de 69% permanecendo livres da doença após cinco anos.

Remédios redescobertos e atividade física

Outra frente promissora é o reposicionamento de medicamentos. Um estudo internacional Challenge revelou que um programa estruturado de exercícios para pacientes operados de câncer de intestino reduziu o risco de recidiva e aumentou a sobrevida, com taxas de sobrevida livre da doença em cinco anos de 80,3% para o grupo que praticou exercícios, em comparação com 73,9% do grupo que recebeu apenas orientações educativas.

Além disso, o uso de uma dose baixa de aspirina demonstrou reduzir pela metade o risco de recidiva em pacientes com câncer de intestino, enquanto o remédio abemaciclibe, originalmente desenvolvido para câncer de mama, mostrou eficácia em um sarcoma raro e agressivo, marcando um avanço significativo na abordagem do câncer.