Os preços da carne bovina no Brasil registraram aumentos significativos no primeiro semestre de 2026. A picanha, um dos cortes mais apreciados pelos brasileiros, teve uma alta de 10,66%, enquanto a alcatra subiu 9,48%. O filé-mignon também apresentou um incremento considerável, com alta de 10,2%, de acordo com a prévia da inflação de junho divulgada pelo IBGE.

Outros cortes importantes da carne bovina também ficaram mais caros, com o peito bovino apresentando uma alta de 10,9% e o acém subindo 9,33%. Por outro lado, as menores variações foram observadas no patinho (6,61%) e no cupim (5,75%).

Motivos para o aumento dos preços

A pressão sobre os preços da carne bovina está ligada à corrida dos frigoríficos para exportar carne para a China antes do fim das cotas de exportação, resultando em uma oferta interna reduzida. Fernando Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, explica que a lógica do mercado foi alterada, com o Brasil exportando mais no primeiro semestre do que é habitual.

Em janeiro, a China impôs uma sobretaxa de 55% sobre as exportações que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas em 2026, o que acentuou a busca por mercado antes da implementação das tarifas. Apesar de uma possível redução no ritmo de compras chinesas nos próximos meses, as projeções indicam um aumento contínuo nos preços até o final do ano, impulsionado por fatores como o fenômeno El Niño e o aumento da demanda nos EUA.

Impacto da União Europeia

Sobre a suspensão das compras de carne bovina brasileira pela União Europeia, Iglesias afirmou que o impacto será limitado, uma vez que o bloco representa apenas 3,5% das exportações brasileiras. No entanto, a decisão pode ter um efeito simbólico, influenciando a percepção de outros mercados.