Reconhecer quando o sofrimento emocional ultrapassa o limite do que é considerado saudável é um desafio para pais, educadores e para os próprios indivíduos. Em um episódio do CNN Sinais Vitais, transmitido no sábado (4) às 19h30, os psiquiatras Guilherme Polanczyk e Camila Magalhães Silveira discutiram com o Dr. Roberto Kalil os principais sinais de alerta relacionados a problemas de saúde mental em diferentes faixas etárias.
O psiquiatra Guilherme Polanczyk, professor na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), enfatizou que existe um espectro entre saúde e doença, onde emoções como ansiedade, tristeza e angústia são parte da experiência humana. "Esses sentimentos são naturais e é importante que possamos dialogar sobre eles", destacou.
Ele acrescentou que lidar com essas emoções é fundamental para desenvolver uma estrutura emocional sólida, essencial para enfrentar os desafios diários.
Contudo, o problema se agrava quando o sofrimento e os pensamentos negativos ultrapassam o que é considerado normal, tornando-se um obstáculo para a realização das atividades cotidianas. Polanczyk alertou que isso pode indicar a presença de um transtorno de ansiedade ou um transtorno de humor.
Um dos sinais mais evidentes, segundo Polanczyk, é a mudança de comportamento. "Quando uma pessoa apresenta uma alteração significativa em seu padrão de comportamento, é um indicativo importante", explicou.
Importância da comunicação
Neste contexto, a comunicação entre pais, escolas e jovens é crucial para compreender o que se passa internamente e identificar a necessidade de ajuda profissional.
A psiquiatra Camila Magalhães Silveira, do Hospital Sírio-Libanês, abordou o uso do termo "epidemia" para caracterizar a exaustão constante que muitos relatam. "Acredito que o termo esgotamento é mais apropriado para descrever a fadiga e angústia que enfrentamos, em vez de epidemia. É necessário mudar a abordagem e identificar o que realmente é grave", afirmou.
Silveira também observou um efeito colateral do aumento das discussões sobre saúde mental: a hiperidentificação com diagnósticos. Apesar do avanço no debate ter ajudado a desestigmatizar o assunto, muitas pessoas estão se identificando excessivamente com fenômenos diagnósticos e buscando tratamentos, mesmo sem necessidade.
Ela enfatizou a importância de saber distinguir casos realmente graves, considerando fatores como mudanças nos hábitos relacionados ao uso de telas, sono, alimentação e expectativas de desempenho.
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