O conflito com o Irã voltou a ganhar destaque e, em meio a essa tensão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a cúpula da OTAN na Turquia sem anunciar novos compromissos do bloco para auxiliar na situação. Durante dois dias em Ancara, Trump enviou mensagens contraditórias sobre sua relação com a aliança militar, afirmando que havia "tremenda unidade", mas ao mesmo tempo criticando a hesitação de outros países em se envolver no conflito no Oriente Médio.
"Não estou satisfeito com a OTAN, por causa do fato de que eles não quiseram nos ajudar com o principal patrocinador do terrorismo, que é o Irã", declarou Trump em uma aparição ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte. "Eles estavam relutantes em nos ajudar." O descontentamento do presidente dos EUA ocorre em um momento em que a colaboração entre os aliados europeus poderia ser crucial para a desescalada da guerra com o Irã, que os Estados Unidos intensificaram durante a cúpula.
Críticas e expectativas em relação à OTAN
Embora os líderes europeus tenham utilizado palavras educadas em suas declarações públicas, Trump fez críticas diretas em reuniões bilaterais e em uma coletiva de imprensa, deixando em aberto a questão se os EUA iriam defender esses países em caso de ataque. O especialista em geopolítica Nicholas Burns, professor da Universidade de Harvard e ex-embaixador dos EUA na OTAN, destacou que a ajuda internacional seria benéfica para lidar com o Irã. "Acho que o presidente deveria tentar fazer com que líderes da Europa e do Golfo Pérsico infligissem danos à economia iraniana", afirmou em entrevista ao programa "Squawk Box" da CNBC.
A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido da CNBC para esclarecer o que foi acordado na cúpula da OTAN em relação ao Irã. Trump, que frequentemente critica a OTAN, reiterou a necessidade de que outros países aumentem seus gastos com defesa. Ele afirmou que, embora os EUA não precisem de ajuda da aliança, testou a lealdade dos membros ao solicitar apoio relacionado ao Irã.
Reações dos líderes europeus e futuro da presença militar dos EUA
Os líderes europeus, por sua vez, parecem ver as ameaças de Trump de retirar tropas como vazias. O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, expressou confiança na permanência das tropas americanas em seu país, enquanto o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, também não acredita na retirada total das forças dos EUA da Europa. O primeiro-ministro da Estônia, Kristen Michal, afirmou que Trump garantiu apoio em caso de incidentes com a Rússia.
A tensão sobre os gastos com defesa foi um dos pontos mais esperados da cúpula, com líderes europeus reconhecendo que a pressão dos EUA levou a um aumento nos investimentos. O presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o presidente da Lituânia, Gitanas Nausėda, comentaram sobre a necessidade de um compromisso de defesa mais robusto entre os países da OTAN.
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