Cientistas revelaram mudanças significativas nas comunidades de bacterioplâncton e no ciclo biogeoquímico do oceano após a passagem do Tufão Maria, que atingiu a categoria 5 durante uma expedição de pesquisa no Mar da China Oriental em 2018. A análise, publicada no Journal of Geophysical Research: Oceans, destaca como esses fenômenos climáticos, que estão se tornando mais frequentes e intensos devido às mudanças climáticas, afetam ecossistemas marinhos.

Impactos dos tufões na biogeoquímica oceânica

De acordo com o estudo, os tufões provocam a mistura das águas estratificadas do oceano, redistribuindo nutrientes e organismos, além de alterar a temperatura e a salinidade da água do mar. Pesquisas anteriores já indicavam que esse processo de mistura poderia modificar a composição e a atividade das comunidades de bacterioplâncton, estimulando a produtividade primária. Essas transformações têm o potencial de alterar temporariamente a teia alimentar da coluna d'água e sua função como sumidouro ou fonte de carbono.

Contudo, os dados coletados anteriormente eram limitados, com amostragens realizadas em intervalos longos, geralmente meses após a passagem de um tufão, e focadas principalmente em ambientes costeiros, estuarinos ou lagunares. Isso deixava lacunas sobre o tempo de mudança e recuperação no oceano aberto.

Uma coleta de dados rara antes e depois do tufão

A equipe liderada por Yi-Hsuan Lo aproveitou a passagem do Tufão Maria para coletar amostras de comunidades de bacterioplâncton em quatro profundidades da coluna d'água, tanto antes quanto depois da tempestade. Durante três dias antes do tufão e quatro dias após, os pesquisadores reuniram dados ambientais e amostras de bacterioplâncton.

Os resultados mostraram um aumento nas concentrações de nutrientes, na produção primária e na atividade bacteriana após a passagem da tempestade. Embora a diversidade geral de bacterioplâncton tenha permanecido inalterada, os pesquisadores observaram uma homogeneização na composição das comunidades bacterianas entre camadas distantes da coluna d'água. Taxas copiotróficas, que prosperam em condições ricas em nutrientes, aumentaram, enquanto taxas oligotróficas, que preferem condições de baixo nutriente, diminuíram.

Questões em aberto sobre a recuperação das comunidades

As observações obtidas oferecem novos insights sobre como os tufões podem potencializar o ciclo biogeoquímico mediado microbianamente nos oceanos. À medida que a frequência desses eventos aumenta, isso pode afetar a capacidade do oceano de atuar como um sumidouro ou fonte de carbono local. Os pesquisadores sugerem que análises mais abrangentes da expressão genética microbiana, como a metatranscriptômica, poderiam esclarecer a atividade metabólica e as respostas funcionais. Além disso, um período de amostragem mais longo poderia revelar o tempo necessário para que a comunidade retornasse a um estado pré-tufão.