A Casa Branca manifestou apoio à seleção argentina de futebol, defendendo seu direito à liberdade de expressão após a polêmica gerada por um banner que reafirmava a reivindicação territorial da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, durante a celebração da vitória da equipe sobre a Inglaterra na Copa do Mundo.

A Argentina pode enfrentar ações disciplinares da FIFA em razão do incidente, que pode infringir as normas sobre declarações políticas. Em resposta a questionamentos sobre a conduta dos jogadores, Andrew Giuliani, chefe da força-tarefa da Casa Branca para a FIFA, afirmou na sexta-feira que a equipe tinha a oportunidade e a capacidade de "fazer essas declarações" nos Estados Unidos.

Repercussões políticas e apoio britânico

As declarações de Giuliani podem intensificar a controvérsia em torno do episódio, que já levou o governo britânico a apoiar pedidos para que a FIFA investigue o caso. O porta-voz do primeiro-ministro britânico declarou: "A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as Ilhas Malvinas definitivamente são. Nosso compromisso com as Malvinas nunca vacilará." A declaração também indicou que qualquer possível punição contra os jogadores argentinos seria uma questão a ser tratada pela FIFA, mas ecoou a opinião do Secretário de Negócios, Peter Kyle, de que o órgão regulador do futebol mundial deveria investigar.

Reação das Ilhas Malvinas e contexto histórico

O governo das Ilhas Malvinas expressou sua "decepção, mas não surpresa" em relação ao banner, esperando que a FIFA "sanções todos os comportamentos dessa natureza de acordo com suas próprias regras". A nota enfatizou: "Não desejamos ver a política sendo trazida para o esporte, nem queremos que as Ilhas e seu povo sejam usados como um futebol político em cada conversa sobre Inglaterra e Argentina." Em 2013, a população das Malvinas votou de forma esmagadora a favor de permanecer como um território britânico ultramarino, com 1.513 votos a favor e apenas três contra, em um referendo com mais de 90% de comparecimento.

A vice-presidente argentina, Victoria Villarruel, postou no X após a vitória de quarta-feira que "não foi apenas mais uma partida", acompanhada de um vídeo que parecia mostrar soldados argentinos. Villarruel reafirmou: "As Malvinas são argentinas. Eles proibiram trazê-las para o estádio e esqueceram que as carregamos em nosso sangue e nossos corações." Jogadores argentinos também cantaram cânticos que faziam referência às Malvinas e a lendas do futebol argentino, como Maradona e Lionel Messi, após a vitória dramática contra o Egito nas oitavas de final.

Um breve, mas amargo, conflito entre a Grã-Bretanha e a Argentina ocorreu em 1982, quando uma força-tarefa militar britânica expulsou as tropas argentinas que haviam desembarcado nas Malvinas para reivindicar o território. O conflito de 74 dias resultou na morte de 255 militares britânicos, três ilhéus e 649 soldados argentinos.