A Casa Branca se posicionou em defesa da seleção de futebol da Argentina, após a equipe ter exibido um banner em apoio à reivindicação territorial do país sobre as Ilhas Malvinas, durante a celebração da vitória na Copa do Mundo contra a Inglaterra. O incidente gerou preocupações sobre possíveis ações disciplinares por parte da FIFA, que pode considerar a situação uma violação das regras sobre declarações políticas.

Liberdade de expressão e repercussões políticas

Andrew Giuliani, chefe da força-tarefa da Casa Branca para a FIFA, comentou na sexta-feira que os jogadores argentinos tinham o direito e a oportunidade de “fazer essas declarações” nos Estados Unidos. Essa declaração pode intensificar a controvérsia, especialmente após o governo britânico ter apoiado pedidos para uma investigação da FIFA sobre o caso.

As Ilhas Malvinas, um território britânico no sudoeste do Oceano Atlântico, continuam a ser objeto de uma disputa de soberania entre o Reino Unido e a Argentina. Após a semifinal da Copa do Mundo, os jogadores argentinos seguraram um banner que dizia “Las Malvinas son Argentinas”, traduzido como “As Malvinas são argentinas”.

Reação do governo britânico e das Ilhas Malvinas

A porta-voz oficial do primeiro-ministro britânico comentou que, embora a Copa do Mundo não pertencesse ao Reino Unido, o compromisso com as Malvinas é inabalável. O governo de Downing Street enfatizou que qualquer ação contra os jogadores argentinos que exibiram o banner seria “uma questão para a FIFA”, mas reiterou a necessidade de uma investigação sobre a situação.

Em resposta ao incidente, o governo das Ilhas Malvinas expressou estar “desapontado, mas não surpreso” com a exibição do banner, esperando que a FIFA “sanções todos os comportamentos dessa natureza de acordo com suas próprias regras”. A declaração destacou o desejo de que a política não seja trazida para o esporte e que as Ilhas e seu povo não sejam utilizados como um tema político nas discussões entre Inglaterra e Argentina.

Contexto histórico da disputa

Em 2013, a população das Ilhas Malvinas votou em sua maioria a favor de continuar como um território britânico. Em um referendo realizado com mais de 90% de comparecimento, 1.513 dos 1.517 votos foram a favor da permanência sob a soberania do Reino Unido.

A vice-presidente da Argentina, Victoria Villarruel, postou no X (antigo Twitter) após a vitória da Argentina, afirmando que “não foi apenas mais uma partida” e compartilhou um vídeo que parecia mostrar soldados argentinos. Ela afirmou: “As Malvinas são argentinas” e criticou a proibição de levá-las ao estádio, ressaltando que “as carregamos em nosso sangue e em nossos corações”.

Os jogadores argentinos também cantaram músicas que faziam referência às Malvinas, além de mencionar ídolos do futebol argentino, como Maradona e Lionel Messi, após a emocionante vitória de 3 a 2 sobre o Egito nas oitavas de final.

A disputa pelas Ilhas Malvinas culminou em um conflito bélico entre o Reino Unido e a Argentina em 1982, resultando na morte de 255 soldados britânicos, três ilhéus e 649 soldados argentinos ao longo de 74 dias de combate.