À medida que a hora do almoço se aproxima no Il Tirreno, um clube de praia particular em Montalto di Castro, Beatrice Bordo, sob a sombra de um guarda-sol azul, desembrulha uma fatia de pizza. O que parecia ser uma refeição comum se transformou em mais um capítulo nas contendas nas praias da Itália, após uma mulher ser confrontada por consumir um sanduíche caseiro em um estabelecimento privado na Puglia.

Bordo, que alugou suas duas espreguiçadeiras e o guarda-sol para toda a temporada, não se deixa abalar. “Paguei €850 pela temporada e gasto dinheiro no bar – em café, sorvete, granita”, afirmou. “Então eles não podem esperar que eu gaste até €50 por dia para comer no restaurante deles. Não é uma obrigação. Eles podem fazer o que quiserem em seu resort, mas eu farei o que quiser sob meu guarda-sol.”

Polêmica Reacende Debate sobre Preços nas Praias

Bordo não está sozinha em sua insatisfação com o incidente que ocorreu em Vieste, na península de Gargano, no último fim de semana. A mulher envolvida na disputa, identificada como Rosaria, havia escondido sanduíches para si e seus dois filhos em sua bolsa. Quando chegou a hora do almoço, ela aconselhou seu filho a comer perto do mar, longe dos olhares da equipe do resort. Contudo, o garoto foi flagrado e Rosaria foi lembrada de que o resort proíbe almoços embalados.

“É uma ocorrência comum nas praias aqui”, disse o jornalista Luca Pernice, que estava presente no local. “As pessoas não querem ser obrigadas a gastar no restaurante todos os dias, não podem arcar com isso, então elas fazem estratégias.” Sua reportagem sobre o ocorrido gerou polêmica imediata. Nicola Ragno, presidente da unidade local da Assoturismo, associação de concessionários de praia, afirmou que almoços embalados “prejudicam a imagem” dos clubes de praia, alegando que muitos frequentadores não se restringem a sanduíches simples.

Custos Altos e Alternativas em Debate

“Na maioria dos casos, vemos refeições completas – massas, pratos principais, frutas, sobremesas, bebidas – todo tipo de comida”, disse Ragno. “Isso gera problemas com higiene, gerenciamento de resíduos e ordem geral, além de complicar os serviços que os proprietários oferecem com investimentos significativos e equipe dedicada.” O presidente da região da Puglia, Antonio Decaro, também se manifestou, lembrando que “ninguém pode impedi-lo de comer comida que você trouxe de casa”.

O custo médio de alugar duas espreguiçadeiras e um guarda-sol aumentou 6% em relação a 2025, com alguns locais registrando alta de até 16%, segundo a associação de consumidores Altroconsumo. No Il Tirreno, onde o custo diário é de €20, o preço é considerado razoável para a região do Lazio. No entanto, isso se torna excessivo se o cliente também precisar gastar no restaurante.

Rachele Giambi, responsável pelo Il Tirreno, afirmou que não proíbem almoços embalados, mas mencionou que o problema está com aqueles que não têm boas maneiras. “Alguns trazem pizza para viagem e depois deixam conosco as caixas de papelão”, disse. Ela ressaltou que a gestão do resort é uma tarefa cara, e que a impressão de que os concessionários estão ganhando muito dinheiro é equivocada.

A solução encontrada pelo clube Il Gabbiano foi oferecer almoços embalados, que podem ser consumidos na área do bar ou sob o guarda-sol. “É muito conveniente”, disse uma frequentadora. “Com uma garrafa de água, custou apenas €9.” A luta por praias públicas e bem mantidas é um ponto defendido pelo movimento Mare Libero, que busca recuperar as praias das concessões privadas.