O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, foi sepultado nesta quinta-feira (9) na cidade sagrada de Mashhad, quatro meses após sua morte em um ataque militar atribuído aos Estados Unidos e Israel. A cerimônia de despedida contou com a presença de milhões de fiéis, conforme relatado pela imprensa estatal.
Khamenei faleceu em 28 de fevereiro, durante o primeiro dia do conflito que envolveu Irã, Estados Unidos e Israel. No mesmo ataque, também perderam a vida sua filha, um genro, uma nora e uma neta de apenas 14 meses.
Adiamento do funeral e preservação dos corpos
Tradicionalmente, funerais islâmicos ocorrem poucos dias após a morte. No entanto, as autoridades iranianas decidiram adiar a cerimônia, inicialmente prevista para o início de março, citando questões logísticas e de segurança. O anúncio oficial do funeral foi feito apenas no início de junho, quase dois meses após o início do cessar-fogo.
Antes do início das homenagens, Iman Attarzadeh, porta-voz do comitê organizador, declarou que os corpos do líder e de seus familiares foram preservados de acordo com as normas religiosas. "Anunciamos que os corpos de nosso imã mártir e de seus familiares mártires, após terem recebido todo o respeito e cuidado necessários, foram preservados até agora em conformidade com as normas religiosas e legais", afirmou Attarzadeh, sem fornecer detalhes sobre o método de preservação utilizado.
Aspectos da preservação e tradições islâmicas
A tradição islâmica desencoraja o embalsamamento químico e proíbe mutilações nos corpos após a morte. Em entrevista à Fox News, o historiador iraquiano e especialista em contraterrorismo, Omar Mohammed, sugeriu que o corpo de Khamenei deve ter sido mantido em uma câmara frigorífica até o sepultamento. Segundo ele, a lei islâmica xiita permite, em situações excepcionais, o adiamento do enterro e a preservação do corpo por refrigeração.
Mohammed também destacou que obter uma autorização religiosa para essa exceção, no caso de um líder supremo, seria relativamente fácil. O funeral de Khamenei, que atraiu uma imensa multidão, reflete a importância de sua figura no contexto político e religioso do Irã, além de evidenciar as complexidades em torno das tradições funerárias no país.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.