Uma pesquisa conduzida por uma doutoranda em trabalho social na África do Sul revelou que muitas mulheres acadêmicas negras consideram os homens brancos como seus principais aliados em suas trajetórias profissionais. O estudo, que envolveu 21 professoras africanas, destaca a complexidade das relações de apoio dentro das universidades e levanta questões sobre a representação e o acesso a oportunidades.

Desigualdade nas universidades

As instituições de ensino superior desempenham um papel crucial na luta contra desigualdades relacionadas a gênero, raça e nacionalidade, mas frequentemente perpetuam essas desigualdades. Um estudo recente apontou que globalmente apenas um terço dos acadêmicos seniores são mulheres, e nos Estados Unidos, o número de professores homens é o dobro do de professoras. Na África do Sul, em 2017, as mulheres negras representavam apenas 16% dos acadêmicos universitários, apesar de constituírem 40% da população.

Essas estatísticas levantam a questão de como as poucas mulheres africanas que alcançam posições de professoras enfrentam um ambiente acadêmico em que são uma minoria. A pesquisa buscou entender as motivações, desafios e estratégias de resiliência dessas acadêmicas, bem como o que suas instituições fizeram para apoiá-las.

O papel dos aliados inesperados

As entrevistadas relataram que o avanço acadêmico não depende apenas de esforços individuais, mas também de pessoas dispostas a abrir portas. Muitas participantes atribuíram seu progresso a professores homens brancos que as incentivaram a prosseguir com estudos doutorais, as indicaram para cargos de liderança e ajudaram a aumentar sua visibilidade em redes influentes. A falta de mentores negros femininos nessas narrativas aponta para a necessidade de repensar as redes de apoio dentro das instituições.

Um dos relatos destacou a importância do apoio de um professor homem branco que ofereceu conselhos valiosos para se destacar em sua carreira. Outro relato mencionou como um professor nessa mesma posição ajudou a estabelecer a pesquisadora. Embora o discurso público frequentemente retrate homens brancos como obstáculos à ascensão de negros, a pesquisa sugere uma realidade mais complexa, onde a colaboração pode atravessar divisões históricas de raça e gênero.

No entanto, nem todas as experiências foram positivas. Algumas participantes mencionaram desafios impostos por colegas homens brancos que limitaram seu acesso a oportunidades e reforçaram hierarquias institucionais.

Esses achados ressaltam a importância do reconhecimento das potencialidades de acadêmicos juniores, assim como a necessidade de um compromisso institucional com a transformação cultural nas universidades, que vai além do aumento da representação de mulheres negras no corpo docente.