No contexto do conflito em Gaza, a organização Hamas anunciou que dissolveria sua administração civil, uma medida vinculada ao acordo de paz mediado pelos Estados Unidos em 2025. No entanto, moradores da região relatam que as instituições funcionam como antes, com Eyad Saleh, um estudante de 19 anos, afirmando que as únicas opções de serviços disponíveis são aquelas geridas pelo Hamas.

"Não há outro lugar para ir em Gaza, exceto as instituições administradas pelo Hamas", disse Saleh em entrevista. Ele perdeu seu diploma universitário durante a guerra e sonha em estudar no exterior, acreditando que isso poderia ser sua saída da região.

Continuidade das instituições sob Hamas

Na última semana, Na'ama Saeed, de 39 anos, que sofre de uma doença crônica, buscou o Ministério da Saúde em busca de um documento médico. "A autoridade responsável em Gaza ainda é o Ministério da Saúde, e é a única entidade autorizada a emitir os documentos oficiais necessários", afirmou Saeed.

Apesar das promessas de uma nova administração composta por tecnocratas independentes, conforme delineado no plano de paz dos EUA de outubro de 2025, a realidade no terreno permanece inalterada. O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), criado para supervisionar a transição, ainda aguarda a permissão de Israel para entrar em Gaza e iniciar suas atividades.

Conflito e descontentamento entre a população

Ghassan Khatib, professor de política internacional na Universidade Bir Zeit, comentou que, até o momento, não houve mudanças significativas. "Nem os americanos nem os israelenses estão entusiasmados com essa movimentação do Hamas", disse Khatib. O Hamas, classificado como organização terrorista por vários países, mantém seu controle sobre cerca de 30% de Gaza, enquanto as tropas israelenses ocupam os 70% restantes, criando uma zona de buffer.

Desde o início do conflito em outubro de 2023, a situação humanitária em Gaza se deteriorou, com mais de 1.000 palestinos mortos em ataques israelenses desde o cessar-fogo de outubro de 2025. Enquanto isso, o Hamas se recusa a desarmar, condicionando essa ação ao fim dos ataques israelenses.

As tensões internas também aumentam, com um número crescente de palestinos perdendo a confiança nas principais facções políticas, incluindo Fatah e Hamas. Pesquisas indicam que 60% da população expressa desconfiança em relação a qualquer facção política, refletindo um descontentamento crescente.

A situação humanitária continua crítica, com organizações de ajuda acusando Israel de obstruir a entrada de suprimentos. O coordenador adjunto da ONU, Ramiz Alakbarov, condenou a obstrução das operações humanitárias, citando a responsabilidade do Hamas em incidentes que ameaçaram a segurança de trabalhadores humanitários.

Por fim, Eyad Saleh, que se identificou apenas pelo nome do meio por medo de represálias, expressou o desejo de uma mudança. "Acredito que Gaza merece algo melhor do que o Hamas e qualquer outra facção política", disse ele, refletindo o anseio de muitos por um novo começo.