O pastor Ezra Jin Mingri, líder da igreja subterrânea Zion Church, foi libertado pela China após estar detido desde outubro de 2025, conforme informações de sua família e grupos de direitos humanos. A liberação ocorreu após a intervenção do presidente dos EUA, Donald Trump, que abordou o caso de Jin durante uma visita a Pequim no início de maio de 2026.
Histórico de perseguição religiosa
Ezra Jin fundou a Zion Church em 2007, que cresceu rapidamente, atingindo cerca de 1.500 membros antes de ser fechada pelas autoridades em 2018. Após a repressão, Jin e sua família se mudaram para os Estados Unidos, mas ele retornou à China, mesmo ciente dos riscos. Sua filha, Grace Jin, relatou a legisladores dos EUA no ano passado que não via o pai há seis anos.
Intervenção de líderes mundiais
A libertação de Jin ganhou destaque internacional, especialmente após Trump mencionar que discutiu a detenção de outros prisioneiros políticos, como o editor pró-democracia de Hong Kong, Jimmy Lai, com Xi Jinping. Lai está cumprindo uma sentença de 20 anos em Hong Kong.
A família de Jin expressou gratidão a Trump e Xi pela libertação inesperada. "Agradecemos a Deus por este tremendo milagre", afirmou Grace em um comunicado divulgado por um membro da igreja à agência AFP. Ela acrescentou que espera que essa ação sinalize uma mudança positiva para as pessoas de fé na China e para as relações entre os dois países.
Após seu retorno a Los Angeles, onde chegou no sábado, 4 de julho de 2026, a organização de defesa dos direitos cristãos ChinaAid comemorou sua libertação. Jin havia sido mantido em Beihai, no sul da China, desde sua detenção.
Continuam as detenções de líderes da igreja
Ezra Jin estava entre 18 líderes da Zion Church detidos em outubro de 2025, acusados de uso ilegal de redes de informação. A filha de Jin informou que, apesar da libertação do pai, pelo menos oito membros da igreja ainda permanecem detidos. Maya Wang, da Human Rights Watch, destacou em uma postagem que todos os membros da Zion Church detidos devem ser libertados.
A Zion Church é uma das maiores igrejas protestantes não registradas da China, operando fora do sistema religioso aprovado pelo Estado, que obriga os fiéis a frequentarem congregações oficialmente registradas. O Partido Comunista Chinês, que é oficialmente ateu, tem intensificado o controle sobre as práticas religiosas sob a liderança de Xi Jinping, promovendo a "Sinicização" das comunidades de fé e exigindo maior lealdade ao Estado.
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