Um imóvel de dois andares localizado em um subúrbio de Yokohama tem enfrentado sérios problemas para ser vendido ou alugado. Com as janelas cobertas por persianas metálicas e o jardim tomado pelo mato, a casa está vazia há pelo menos cinco anos. O motivo para a rejeição é seu histórico, classificado como "jiko bukken", ou "propriedade estigmatizada".

Esses imóveis são frequentemente associados a eventos trágicos, como suicídios, mortes solitárias ou incêndios fatais. Kazutoshi Kodama, presidente da Kachimode Co., empresa especializada em gerenciar propriedades com esse tipo de histórico, afirma que "jiko bukken" representam um fardo financeiro para seus proprietários, mas também uma oportunidade de negócio.

O impacto das superstições na venda de imóveis

De acordo com Kodama, a percepção de que a morte é impura faz com que muitos japoneses evitem esses imóveis. Ele explica: "Acredita-se que o contato próximo com a morte trará infortúnios", o que leva a uma relutância em alugar ou comprar essas propriedades. A legislação japonesa exige que os agentes imobiliários revelem o histórico de um imóvel, o que dificulta ainda mais a negociação.

Em áreas urbanas com alta demanda por aluguel, os proprietários de imóveis estigmatizados podem precisar reduzir o valor do aluguel em até 30%. Em regiões menos procuradas, essa redução pode chegar a 50%. Kodama relata casos em que propriedades ficam vazias por até 500 dias, e algumas até mais de 1.000 dias.

Serviços para 'purificar' imóveis

A Kachimode oferece um serviço único no Japão, que inclui uma "investigação fantasma". A empresa realiza uma estadia noturna nos imóveis onde ocorreram incidentes para verificar se fenômenos sobrenaturais persistem. O custo desse serviço é de 88.000 ienes, o que inclui um relatório detalhado que pode ajudar a comprovar a ausência de "espíritos malignos".

Essa abordagem tem atraído interesse, e Kodama afirma que, em muitos casos, o que era inicialmente considerado uma "impureza" não se repete. No entanto, existem imóveis onde fenômenos misteriosos ocorrem de forma consistente ao longo do tempo.

Joey Stockerman, cofundador da AkiyaMart, destaca que existem milhões de imóveis vazios no Japão, muitos dos quais são estigmatizados. Uma pesquisa governamental de 2024 apontou que havia 9 milhões de casas desocupadas no país, representando 13,8% de toda a habitação. Stockerman observa que as superstições e o medo de alugar imóveis onde ocorreram mortes complicam ainda mais a situação.

Recentemente, a AkiyaMart começou a oferecer um pacote que inclui a visita de um sacerdote xintoísta para "purificar" os imóveis. Embora a abordagem seja considerada peculiar, a demanda por esse tipo de serviço está crescendo, refletindo a necessidade de lidar com as sensibilidades culturais em relação à morte e à propriedade no Japão.