No dia 4 de junho, o ciclista Cleocir Jorge dos Santos, de 54 anos, perdeu a vida em um acidente em Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul. Ele trafegava na ciclofaixa da Avenida Brasil Oeste quando se desequilibrou ao colidir com duas mulheres que estavam no espaço destinado às bicicletas, caindo na pista de rolamento e sendo atropelado por um veículo.

Investigações em andamento

A Polícia Civil está investigando as duas mulheres, que são moradoras de Carazinho, cidade vizinha a Passo Fundo, por homicídio culposo, caracterizado pela ausência de intenção de matar. A delegada responsável pelo caso, Daniela Mineto, aguarda os laudos periciais para finalizar o inquérito. Em declarações recentes, a delegada afirmou que os testemunhos coletados reforçam a responsabilidade das pedestres no acidente que vitimou Cleocir.

As mulheres, que estavam no local para tirar fotos para redes sociais, não tiveram suas identidades divulgadas. A delegada já havia destacado anteriormente que a ciclofaixa é um espaço exclusivo para ciclistas, ressaltando a inadequação da presença delas naquele local. “Essas mulheres agiram de forma totalmente inadequada em cima da ciclofaixa, causando então a queda desse ciclista”, declarou.

Histórico de riscos na ciclofaixa

Familiares de Cleocir relataram que ele já havia expressado preocupação com a presença de pedestres na ciclofaixa. Segundo seu sobrinho, Rafael Iarchescki, o ciclista frequentemente mencionava situações de perigo, afirmando que quase havia caído ou atropelado pessoas em diversas ocasiões. Cleocir era conhecido por sua rotina ativa e utilizava a bicicleta como parte de seus cuidados com a saúde.

Contexto da infraestrutura cicloviária em Passo Fundo

A cidade de Passo Fundo possui mais de 37 km de malha cicloviária, que se estende por avenidas e parques. Em trechos mais novos, há separação entre ciclofaixas e caminhódromos, permitindo um uso distinto por ciclistas e pedestres. Contudo, em áreas mais antigas, essa divisão não é sempre clara, o que pode aumentar o risco de acidentes.

A prefeitura local informou que, em casos onde não há caminhódromo, os pedestres devem utilizar as calçadas. O secretário municipal de Segurança Pública, Tadeu Trindade, destacou que, em ciclofaixas exclusivas, a presença de pedestres é proibida, e a sinalização tem o objetivo de orientar os usuários sobre os espaços disponíveis para cada um.