A Deoleo, maior produtora de azeite do mundo, está otimista quanto à recuperação do setor após uma colheita abundante e uma melhora no sentimento do mercado, de acordo com seu CEO, Cristóbal Valdés. A empresa, que fabrica marcas conhecidas como Bertolli e Carbonell, observa que a colheita substancial, especialmente na Espanha, resultou em uma queda acentuada nos preços do azeite extra virgem e virgem nos supermercados.
A recuperação ocorre após duas temporadas consecutivas de baixa produção que causaram uma turbulência extraordinária em toda a cadeia de valor do azeite. Uma combinação de condições climáticas extremas, impulsionadas pelas mudanças climáticas, altas taxas de juros e inflação robusta resultou em um aumento vertiginoso dos preços do azeite no ano passado, surpreendendo tanto consumidores quanto veteranos da indústria.
Otimismo cauteloso no setor de azeite
Valdés destacou que uma "mudança significativa" está em andamento. "O que antes era um dos períodos mais desafiadores em nossa história — marcado pela escassez de matérias-primas, alta volatilidade de preços e queda no consumo — agora está dando lugar a um cenário de mercado mais normalizado e promissor", afirmou em entrevista por e-mail ao CNBC.
A Deoleo prevê que um ambiente de preços de matérias-primas mais contidos persista ao longo do segundo semestre de 2025. “O significativo aumento na colheita de azeite — particularmente na Espanha — já está se traduzindo em condições de oferta mais estáveis, impactando diretamente os preços na origem”, acrescentou Valdés.
Produção e investimento em publicidade
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Espanha, o país produziu 1,41 milhão de toneladas métricas de azeite na safra 2024/2025. Embora o rendimento tenha sido ligeiramente inferior ao previsto, representou um aumento de aproximadamente 65% em relação às 855.600 toneladas do ano anterior.
Deoleo observou que a colheita abundante na Espanha levou a uma queda de 50% nos preços das matérias-primas, estimulando a demanda e permitindo à empresa reduzir os preços do azeite nas prateleiras. "Portanto, nossa perspectiva é cautelosamente otimista: antecipamos um mercado mais equilibrado, onde a precificação responsável e o foco em valor serão fundamentais para sustentar o crescimento e garantir a saúde da categoria a longo prazo", disse Valdés.
Além disso, o CEO da Deoleo afirmou que as condições de mercado mais favoráveis permitiram à empresa dobrar seu investimento em publicidade e promoção para 10 milhões de euros (US$ 11,63 milhões). Antes da implementação de uma tarifa de 15% para a maioria dos produtos da UE a partir de 1º de agosto, Valdés mencionou que a empresa planejava intensificar seus esforços de comunicação, marketing e engajamento com os consumidores para garantir que o azeite continue sendo um alimento básico no dia a dia.
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