O Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil determinou que Flavio Bolsonaro, candidato à presidência, não poderá visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por um período de 90 dias. A decisão foi anunciada na segunda-feira, 25 de setembro, após a constatação de que a dupla violou as condições da prisão domiciliar do ex-presidente.

A ordem foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, que alegou que Flavio Bolsonaro leu uma carta manuscrita de seu pai durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, o que caracterizaria uma infração às regras estabelecidas.

Contexto da decisão judicial

Jair Bolsonaro, identificado como uma figura de extrema direita, foi condenado em setembro de 2025 por tentar reverter o resultado da eleição de 2022, na qual perdeu para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante sua condenação, Bolsonaro está proibido de utilizar redes sociais ou se comunicar através de terceiros, permanecendo em prisão domiciliar por questões de saúde.

A restrição de 90 dias se estende até o primeiro turno das eleições presidenciais do Brasil, agendadas para 4 de outubro, o que impede Flavio de se encontrar com seu pai durante a maior parte da campanha eleitoral. Além disso, o tribunal deu um prazo de 48 horas para que os advogados de Jair Bolsonaro expliquem se o ex-presidente estava ciente da publicação da carta online.

Reações e consequências políticas

Na carta, Jair Bolsonaro pediu a seus aliados políticos que deixassem de lado suas diferenças e apoiassem a candidatura de seu filho. Flavio Bolsonaro, que é senador e considerado o principal concorrente conservador a Lula, classificou a decisão como “desproporcional” e acusou Moraes, vice-presidente do STF, de tentar interferir nas eleições.

Um advogado da campanha de Flavio Bolsonaro afirmou que a decisão é “ilegal e inconstitucional”, argumentando que viola os direitos do senador tanto como membro da família quanto como advogado de seu pai.

Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão por sua participação no plano de reverter a eleição. Em janeiro de 2023, seus apoiadores realizaram protestos violentos, invadindo prédios governamentais em uma tentativa de insurreição. Apesar das alegações de que não recebeu um julgamento justo e de nunca ter reconhecido a derrota nas eleições de 2022, ele foi autorizado a cumprir sua pena em casa devido a problemas de saúde.

Embora tenha sido condenado, o ex-presidente continua a ser uma figura influente na direita brasileira e endossa seu filho como sucessor político. Entretanto, a campanha de Flavio enfrenta desafios, incluindo investigações sobre suas ligações com um banqueiro envolvido em um grande escândalo financeiro e uma disputa pública com sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.